“Você é forte, você consegue.”
Eu ouvi essa frase nos últimos 4 meses repetidamente.
E eis o que eu penso honestamente sobre ela:
Essa é a frase que dizem quando uma mulher está à beira do colapso.
Como se força fosse um botão. Como se dor fosse frescura. Como se cansaço fosse incompetência emocional.
Chamar uma mulher fragilizada de forte, naquele momento, não é apoio. É de certa forma, transferência de responsabilidade.
É dizer: “Eu não sei lidar com a sua dor, então vou te devolver para a sua imagem de guerreira.”
Existe uma violência sutil nessa frase. Porque quando dizem “você é forte”, muitas vezes estão dizendo: “Não desmorone na minha frente.” “Não complique.” “Não me faça lidar com isso.”
Só que força não é ausência de vulnerabilidade. Força não é nunca chorar. Força não é aguentar tudo calada.
Força também é poder dizer: “Eu não estou bem.” “Eu não estou conseguindo.” “Hoje eu não dou conta.”
O problema é que a sociedade ama mulheres fortes. Mas não sabe acolher mulheres humanas.
A mulher forte trabalha. Ela cuida. Ela sustenta. Ela organiza. Ela resolve. Ela aguenta.
Mas quem sustenta a mulher que sustenta tudo?
A mulher forte virou um lugar de aprisionamento. Porque ela não pode falhar. Não pode cansar. Não pode pedir ajuda. Não pode quebrar.
E quando quebra? Ainda escuta: “Mas você sempre foi tão forte…”
Talvez o apoio real não seja lembrar a mulher da força que ela já demonstrou. Talvez o apoio real seja oferecer colo. Silêncio. Presença. Escuta.
Talvez seja dizer: “Você não precisa ser forte agora. Eu estou aqui.”
Porque às vezes, o que uma mulher precisa não é que a lembrem do quanto ela aguenta. É que a permitam descansar da obrigação de aguentar tudo.
E isso… isso também é uma forma de força.
A camada que ninguém quer ver da “mulher forte”
Existe uma solidão que não é só emocional.
É estrutural.
É quando a mulher não está apenas triste.
Ela está desorganizada por dentro.
A mente confusa.
O corpo exausto.
O emocional em frangalhos.
E ainda assim… ela precisa continuar.
Porque não tem para quem ligar.
Não tem quem resolva por ela.
Não tem quem segure a casa, o trabalho, os filhos, as contas, a própria sanidade.
Ela precisa se reorganizar — mas não sabe como.
E o pior: precisa descobrir como sozinha.
Não é aquela solidão dramática de filme.
É uma solidão prática.
É acordar e pensar: “Eu não sei o que fazer.” Mas levantar mesmo assim.
É precisar tomar decisões importantes com a mente embaralhada. É ter que ser racional quando está emocionalmente devastada. É ter que produzir quando está psicologicamente quebrada.
E ninguém vê.
Porque por fora ela ainda funciona.
Ela paga boletos. Ela responde mensagens. Ela vai trabalhar. Ela resolve problemas.
Por dentro, ela está tentando juntar pedaços que nem entende direito como quebraram.
E quando dizem: “Você é forte, você consegue.”
Não percebem que ela não quer provar que consegue. Ela queria, por alguns dias, não precisar conseguir.
Ela queria ter a opção de desmoronar sem que tudo ao redor desmoronasse junto.
Mas não tem.
Então ela faz o que sempre fez: Se vira.
Mesmo sem clareza. Mesmo sem estrutura. Mesmo sem apoio. Mesmo sem saber exatamente qual é o próximo passo.
Essa é a camada mais profunda da mulher forte: Ela continua não porque está pronta. Não porque sabe. Não porque é inabalável.
Ela continua porque parar não é uma opção.
E essa não é uma romantização da força.
É um retrato cru da sobrevivência.
Tão ruim quanto ouvir que você é forte e vai conseguir, São os conselhos:
Precisa de um mindset novo agora
É só lembrar o quanto você já superou
Você precisa procurar ajuda psicológica
Não tente resolver a sua vida inteira, um cômodo por vez.
Você precisa de uma nova rotina
Você precisa de disciplina
Você precisa descansar, fazer nada. Solta tudo.
O que o Tarot diz? Já leu as cartas?
Você precisa beber água
Você precisa fazer uma lista de decisões
Você precisa de micro-ações.
Você precisa esvaziar a sua cabeça
Você precisa perguntar para si mesma o que você quer
Deixa eu falar e sem ofensas se você foi uma dessas pessoas que mandou eu ser forte e agora está lendo isso aqui…
Não é sobre organização.
Não é sobre disciplina mínima.
Não é sobre terapia.
Não é sobre pausa.
É sobre exaustão da personagem heróica que você insistem em manter
A mulher forte quer não precisar mais ser forte.
Ela quer que a exigência acabe.
Porque o que dói não é a dificuldade.
É a “obrigação” constante de sustentar tudo.
E aqui está o ponto delicado:
Enquanto ela ainda acredita que precisa ser forte, ela não vai soltar a armadura da heroína forte.
Ela vai rejeitar ajuda. Vai rejeitar colo. Vai rejeitar descanso.
Porque para ela, soltar parece perigoso. Parece irresponsável. Parece fraqueza. Parece que tudo vai desmoronar.
Então, sim — existe um ponto de exaustão.
Existe um dia em que a força vira peso. Em que a identidade de “a que aguenta tudo” fica insuportável. Em que manter a postura dói mais do que cair.
E quando esse ponto chega, não é bonito. Não é elegante. Não é inspirador.
É um colapso interno.
Mas é ali que nasce a clareza.
Porque quando ela finalmente se cansa de ser forte, ela percebe uma coisa devastadoramente libertadora:
Ela nunca precisou ser forte o tempo todo. Ela só nunca se permitiu não ser.
A clareza não vem antes da exaustão. Ela vem depois que a personagem cai.
E talvez a única frase honesta que essa mulher precise ouvir não seja um conselho.
Seja isso:
“Você não é forte. Você está cansada. E isso é humano.”
Não existe solução mágica aqui. Existe maturidade emocional.
Ser forte não é aguentar tudo. É saber quando a força virou armadura. E ter coragem de tirá-la.
E às vezes, a mulher só vai conseguir tirar a armadura quando ela pesar demais.
Não é sobre ensinar. Não é sobre orientar. É sobre permitir que a exaustão revele a verdade.
E a verdade é simples:
Você não nasceu para ser forte. Você nasceu para ser inteira.
E inteireza inclui cansaço, inclui fragilidade, inclui dizer: “Eu não aguento mais.”
Por favor, não digam a uma mulher forte que ela precisa ser forte ou que vai conseguir.
Não romantize a força de quem já não aguenta sequer rastejar pela vida e mesmo assim, quando a alma e o corpo não mais aguentam ela sabe que ainda vai precisar seguir em frente.
Diga para desistir dessa força dessa heroína, dessa personagem que ela vestiu, que sustenta tudo e que precisa sobreviver sendo o pliar de tudo e todos.
Diga para ter consciência da própria exaustão, mesmo que parar não seja uma opção.
Diga para não ser prisioneira desse estigma de força
Diga para ela ser sábia
Na sabedoria a lição é aprendida.
Na sabedoria a memória consegue ser restabelecida, ela se lembra de quem ela é e talvez deixou de ser por precisar ser forte.
É se reconhecer como luz, amor e volta para a própria integridade,
Ser integra é ser inteira de todas as suas partes dissolvidas pelos caminhos que trilhou até aqui, partes essas que na luz da consciência sábia se juntam, se reestabelecem.
Ser sábia não é transformar nada, é só buscar o que ela realmente é.
Ser sábia é entrar em contato com a própria grandeza interior, e reconhecer quem é e poder dizer… essa sou eu.
É sobre o que nunca nada nem ninguém pode tirar dela e sobre o que nada diferente disso precisa ser.
É estar em paz… mesmo não sendo forte e não conseguindo ver, decidir ou agir. Por mim, Silvia Parreira
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